Cirurgia refrativa

Quanto custa a cirurgia refrativa e o que muda o valor

Por Dr. Ricardo Martin, CRM-MG 29001 · RQE 16477 ·

A cirurgia refrativa não tem preço único porque a técnica só é definida depois dos exames da córnea, e cada técnica tem custo diferente. O valor final junta a avaliação pré-operatória, os honorários da equipe, o centro cirúrgico e o acompanhamento no pós-operatório. Parte dos pacientes tem cobertura pelo convênio, desde que se enquadre na diretriz da ANS.

Microscópio cirúrgico da Clínica Vision

Por que ninguém responde essa pergunta com um número

Você acorda, tateia o criado-mudo e só enxerga o quarto depois de achar os óculos. Na academia, a lente de contato incomoda. Na piscina, o mundo vira um borrão. Em algum momento você pesquisou quanto custa se livrar disso, e a resposta que apareceu foi uma lista de sites que não dizem nada, ou pior, um anúncio com um valor baixo demais para ser verdade.

Existe um motivo honesto para isso. A cirurgia refrativa é um procedimento a laser que remodela a córnea para corrigir miopia, hipermetropia e astigmatismo, e a técnica usada em cada paciente só é definida depois de exames que medem a espessura, a curvatura e a qualidade óptica da córnea. Como cada técnica tem um custo, e como o convênio cobre parte dos casos, ninguém consegue dizer o valor antes da avaliação. Quem diz está chutando, ou está vendendo outra coisa.

Este artigo aprofunda o que a página de cirurgia refrativa da Clínica Vision responde em quatro linhas: o que compõe o valor, o que faz ele subir ou descer, o que o plano de saúde cobre pela regra da ANS e como pedir um orçamento que faça sentido para o seu caso.

A técnica é o que mais pesa, e não é você quem escolhe

Existem três formas principais de aplicar o laser na córnea. No PRK, o cirurgião remove a camada mais superficial da córnea, o epitélio, e aplica o laser diretamente na superfície. Na Clínica Vision o PRK é transepitelial, em que o próprio laser faz essa etapa. No LASIK, cria-se uma lamela fina na córnea, o laser trabalha embaixo dela e a lamela volta ao lugar, o que dá a recuperação visual em poucas horas. No femto-LASIK, essa lamela é feita por um segundo laser, o de femtosegundo, em vez de uma lâmina mecânica. A diretriz de cirurgia refrativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia registra que o femtosegundo dá mais estabilidade e previsibilidade à espessura da lamela, com resultado de grau parecido com o do LASIK mecânico.

Cada uma dessas técnicas exige equipamento diferente, e por isso tem custo diferente. Um segundo laser na sala custa mais do que um. Mas o ponto que mais importa para o seu bolso é outro: a escolha não é uma questão de preferência. A CBO recomenda que a espessura central da córnea seja medida antes de qualquer cirurgia refrativa, porque ela define qual tratamento é mais seguro para aquele paciente. Córnea mais fina, grau mais alto e padrão de curvatura irregular reduzem a margem para o LASIK e empurram a indicação para o PRK, ou tiram a indicação de cirurgia.

Na prática, isso significa que o seu grau e a sua córnea decidem a técnica, e a técnica decide boa parte do valor. É por isso que o orçamento vem depois da consulta, e não antes.

O que muda o valor da cirurgia refrativa
  • A técnica indicadaPRK transepitelial, LASIK ou femto-LASIK. Cada uma exige equipamento diferente, e quem decide é o exame da córnea.
  • Os exames do pré-operatórioTopografia, tomografia e paquimetria da córnea, feitas antes de qualquer indicação.
  • Um olho ou os doisA maior parte das pessoas opera os dois, em geral no mesmo dia.
  • Equipe e estruturaHonorários do cirurgião e da equipe, centro cirúrgico, laser e materiais.
  • O acompanhamento depoisColírios e os retornos marcados nas primeiras semanas.

Parte dos pacientes tem cobertura pelo convênio, quando o caso se enquadra na diretriz da ANS. O valor fechado sai depois da avaliação.

Os exames do pré-operatório fazem parte da conta

A avaliação para cirurgia refrativa não é uma consulta comum de vista. A diretriz da CBO trata de dois grupos de exame que precisam entrar antes da indicação. A topografia, feita com disco de Plácido, mostra a superfície anterior da córnea e o filme lacrimal. A tomografia de córnea faz o estudo em três dimensões e aumenta a acurácia para diagnosticar formas leves ou subclínicas de doença ectásica, como o ceratocone, que contraindica a cirurgia. A paquimetria mede a espessura da córnea, por ultrassom ou pelo mapa que a tomografia reconstrói, e a CBO a considera fundamental tanto para rastrear ectasia quanto para decidir o tipo de tratamento.

Além desses, o exame de refração precisa confirmar que o grau está estável, e o fundo de olho precisa estar avaliado. Hospitais de olhos de referência descrevem o mesmo caminho: avaliação oftalmológica completa e exames específicos para descartar contraindicações antes de qualquer marcação.

Esses exames têm custo. Quando o paciente é de convênio, a consulta e os exames de avaliação costumam ser cobertos, e na Clínica Vision é assim. Quando é particular, eles entram no valor total ou são cobrados à parte, e é um item que você deve perguntar ao comparar orçamentos.

Um olho ou dois, honorários e centro cirúrgico

A maior parte das pessoas opera os dois olhos, em geral no mesmo dia. A diretriz da CBO registra que operar os dois olhos na mesma sessão está associado a uma resposta cicatricial mais previsível. Mas há casos em que só um olho tem grau relevante, ou em que a córnea de um lado não permite a cirurgia, e o orçamento muda. Quando você for pedir um valor, deixe claro se a proposta é para um olho ou para os dois.

O restante da conta é o que existe em qualquer cirurgia: os honorários do cirurgião e da equipe, o uso do centro cirúrgico e do laser, os materiais e os colírios do pós-operatório. Na Clínica Vision o centro cirúrgico é próprio, dentro da clínica, e a anestesia é feita com colírio, sem sedação venosa nem internação. Isso simplifica a estrutura envolvida, mas não elimina nenhum desses itens.

O acompanhamento do pós-operatório também faz parte do valor. Com LASIK, a volta ao trabalho é no dia seguinte e as atividades físicas voltam em poucos dias. Com PRK, a recuperação visual é gradual e a volta ao trabalho leva cerca de uma semana. Em qualquer técnica há retornos marcados nas primeiras semanas, e um orçamento sério inclui esses retornos.

  • A técnica indicada para a sua córnea: PRK transepitelial, LASIK ou femto-LASIK
  • Os exames do pré-operatório: topografia, tomografia e paquimetria da córnea
  • Um olho ou os dois
  • Honorários da equipe, centro cirúrgico, laser e materiais
  • Colírios e retornos do pós-operatório

O que o convênio cobre segundo a ANS

Aqui está a parte que mais gente desconhece. A cirurgia refrativa PRK ou LASIK consta no Rol de Procedimentos da ANS, o que significa cobertura obrigatória para planos com segmentação ambulatorial ou hospitalar, desde que o paciente atenda à Diretriz de Utilização. O parecer técnico 08/2018 da ANS transcreve a diretriz: cobertura para pacientes com mais de 18 anos e grau estável há pelo menos um ano, quando preenchido pelo menos um de dois critérios. O primeiro é miopia moderada ou grave, entre 5 e 10 graus, com ou sem astigmatismo de até 4 graus. O segundo é hipermetropia de até 6 graus, com ou sem astigmatismo de até 4 graus.

Há uma observação importante no mesmo parecer: quando apenas um olho está dentro desses limites, a cobertura é obrigatória para os dois. E há um limite que fica fora: miopia acima de 10 graus não entra na diretriz, e miopia abaixo de 5 graus também não, ainda que o paciente tenha indicação médica para operar.

Na Clínica Vision, a cirurgia refrativa tem cobertura pelos convênios atendidos em três condições, confirmadas com a clínica: o paciente não pode estar no período de carência, precisa se enquadrar na normativa que os planos seguem, que é essa diretriz da ANS, e alguns planos não cobrem dependentes. Quem tem o grau fora da faixa, quem está em carência ou quem tem plano antigo não adaptado à lei de 1998 faz a cirurgia como particular. Nesse caso, a consulta e os exames continuam cobertos pelo plano, e só o procedimento é pago.

Ter cobertura e ter indicação são coisas diferentes. A diretriz da ANS define quando o plano paga, não quando a cirurgia é segura. Um paciente com miopia de 7 graus e córnea fina pode ter cobertura e não ter indicação. Um paciente com 3 graus pode ter indicação e não ter cobertura.

Por que o preço muito baixo é sinal de alerta

Se um anúncio promete cirurgia refrativa por um valor muito abaixo do que você viu em todo lugar, pergunte o que ficou de fora. As respostas costumam ser três.

A primeira é exame pulado. Tomografia de córnea e paquimetria custam, e a forma mais fácil de baixar um orçamento é não fazê-los. Só que, segundo a CBO, a espessura da córnea e o padrão topográfico ou tomográfico anormal estão entre os principais fatores de risco para ectasia depois da cirurgia, uma complicação em que a córnea afina e deforma de forma progressiva. Economizar no exame é economizar justamente no que protege a sua córnea.

A segunda é tecnologia antiga. Um laser sem sistema de rastreamento ocular, que acompanha o movimento involuntário do olho durante a aplicação, ou um microcerátomo mecânico de geração antiga, custam menos para operar. O resultado pode até ser o mesmo em grau, mas com menos previsibilidade.

A terceira é o que vem depois. Colírios, retornos e eventual retratamento fora do valor. O pós-operatório da cirurgia refrativa inclui olho seco, comum nos primeiros meses, halos noturnos e, com menor frequência, correção insuficiente. Tudo isso precisa de acompanhamento, e um orçamento que não o inclui não é mais barato, só empurra a conta.

A regra do site da Clínica Vision para qualquer procedimento vale aqui: não existe preço único, e é bom desconfiar de quem anuncia um. O valor é fechado depois da avaliação, quando já se sabe o que o seu caso pede.

Como pedir um orçamento que faça sentido

O caminho mais curto para um valor real é uma consulta de avaliação. Nela, o oftalmologista mede o grau, confere a estabilidade, faz ou pede os exames da córnea e diz duas coisas: se você tem indicação e qual técnica é a sua. Com isso em mãos, o orçamento sai fechado, e a clínica consegue verificar com o seu plano se o seu caso está dentro da diretriz da ANS.

Antes de marcar, vale ter à mão a receita mais antiga dos óculos ou das lentes, para comprovar que o grau está estável há pelo menos um ano, e a carteirinha do convênio, para checar a carência e se você é titular ou dependente. Se quiser comparar propostas, compare o que está dentro de cada uma: técnica, exames, olhos operados, colírios e retornos.

Na Clínica Vision, a cirurgia refrativa é feita desde 1998, com LASIK e PRK transepitelial, anestesia em colírio e centro cirúrgico próprio. A avaliação é o primeiro passo, e é ela que responde a pergunta do título para o seu caso, e não para uma média.

Este artigo aprofunda uma dúvida. O procedimento por inteiro, quem faz e como agendar estão na página de cirurgia refrativa.

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Perguntas frequentes

Quanto custa a cirurgia refrativa?

Não há preço único. O valor depende da técnica indicada pelos exames da córnea, LASIK ou PRK, dos exames do pré-operatório, de operar um olho ou os dois, dos honorários da equipe, do centro cirúrgico e do acompanhamento no pós-operatório. O orçamento é fechado depois da avaliação.

O convênio cobre a cirurgia refrativa?

Cobre quando o paciente atende à diretriz da ANS: mais de 18 anos, grau estável há pelo menos um ano e miopia entre 5 e 10 graus ou hipermetropia de até 6 graus, com ou sem astigmatismo de até 4 graus. Na Clínica Vision há ainda três condições: não estar em carência, se enquadrar na normativa do plano e o plano cobrir dependentes, quando for o caso.

Quem tem miopia abaixo de 5 graus paga particular?

Pela diretriz da ANS, miopia abaixo de 5 graus não tem cobertura obrigatória, então o procedimento é particular. A consulta e os exames de avaliação continuam cobertos pelo convênio.

LASIK é mais caro que PRK?

As técnicas usam equipamentos diferentes e por isso têm custos diferentes. Mas a escolha não é do paciente: a espessura e a curvatura da córnea, medidas na paquimetria e na topografia, definem qual técnica é segura para cada caso.

Por que desconfiar de cirurgia refrativa muito barata?

Porque o valor baixo costuma vir de exame pulado, como a tomografia de córnea que rastreia ceratocone, de tecnologia antiga sem rastreamento ocular ou de colírios e retornos cobrados à parte. Os exames são justamente o que protege a córnea de complicações como a ectasia.

Conteúdo educativo, revisado pelo corpo clínico. Não substitui a consulta. A indicação de qualquer exame ou tratamento é feita em avaliação médica individual. As afirmações médicas seguem fontes citadas ao longo do texto: sociedades médicas brasileiras, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Agência Nacional de Saúde Suplementar.

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