Cirurgia refrativa

Pós-operatório da cirurgia refrativa, dia a dia: o que esperar do LASIK e do PRK

Por Dr. Ricardo Martin, CRM-MG 29001 · RQE 16477 ·

O pós-operatório da cirurgia refrativa é curto, mas tem etapas bem definidas. No LASIK, a visão costuma clarear em horas e o trabalho volta no dia seguinte. No PRK, há uma lente de contato terapêutica por alguns dias, desconforto na primeira semana e visão que oscila antes de estabilizar.

Dr. Ricardo Martin em consulta de retorno na Clínica Vision

Por que o pós-operatório do LASIK e o do PRK são tão diferentes

Quem pesquisa o pós-operatório da cirurgia refrativa quase sempre quer saber uma coisa só: quantos dias a vida fica em pausa. A resposta depende da técnica, e é por isso que este artigo separa LASIK e PRK em cada etapa da linha do tempo. A página de cirurgia refrativa da Clínica Vision explica como as duas funcionam e quem pode operar. Aqui, o assunto é o que acontece depois que o laser desliga.

A diferença vem da camada mais superficial da córnea, o epitélio. No LASIK, o cirurgião cria uma lamela fina, aplica o laser por baixo dela e a reposiciona. O epitélio fica quase intacto, e por isso a visão clareia em horas. No PRK, o epitélio é removido para que o laser atue na superfície, e o olho precisa de alguns dias para refazer essa camada. Enquanto ela se regenera, há desconforto e a visão oscila.

Na Clínica Vision as duas técnicas são feitas com anestesia em colírio, no centro cirúrgico da própria clínica, e a escolha entre elas sai dos exames de espessura, curvatura e qualidade óptica da córnea. O que vem a seguir são as faixas de tempo que os grandes serviços de oftalmologia do país publicam. Os prazos do seu caso são os que o cirurgião passar na alta e nos retornos.

O dia da cirurgia

A anestesia é feita com colírio. Não há injeção, não há sedação profunda e não há internação. Você entra acordado, deita sob o equipamento, fixa uma luz e o laser trabalha por segundos em cada olho. O tempo total na sala é de minutos, e a etapa mais longa costuma ser o preparo e a conferência dos dados, não o laser em si.

Vá acompanhado. Ao sair, a visão está embaçada, os olhos lacrimejam e a claridade incomoda, então dirigir está fora de questão. Óculos escuros com proteção ultravioleta entram já na saída da clínica e ficam na rotina por meses, porque a córnea recém-operada é sensível ao sol.

No LASIK, muitos pacientes já percebem a visão mais nítida ainda no fim do dia. No PRK, o cirurgião coloca uma lente de contato terapêutica, sem grau, ao fim do procedimento. Ela funciona como um curativo transparente: protege a superfície enquanto o epitélio se refaz e reduz a dor. Ela não deve ser tirada por conta própria em hipótese alguma.

As duas técnicas saem da sala com uma receita de colírios, em geral um antibiótico, um anti-inflamatório e um lubrificante, cada um com horário. A Diretriz de Cirurgia Refrativa do CBO recomenda o antibiótico profilático no pós-operatório da cirurgia a laser na córnea, e é por isso que ele aparece em toda receita de alta.

O pós-operatório dia a dia
  1. Dia da cirurgiaAnestesia em colírio, alta no mesmo dia e óculos escuros na saída. No PRK entra a lente de contato terapêutica.
  2. Primeiras 24 horasArdor, lacrimejamento e sensibilidade à luz. No LASIK o desconforto costuma passar no primeiro dia, no PRK é a fase mais incômoda.
  3. 3 a 7 diasCom LASIK, o trabalho já voltou no dia seguinte. Com PRK, a lente terapêutica é retirada no consultório e a visão ainda flutua.
  4. 2 a 4 semanasAtividade física leve liberada por etapas, piscina e sauna fora por cerca de trinta dias, e olho seco como sintoma mais comum.
  5. 1 a 3 mesesA visão do LASIK costuma estar estável já no primeiro mês. A do PRK costuma estabilizar entre o segundo e o terceiro.

As faixas são as que os serviços de referência publicam. O prazo do seu caso é o que o cirurgião orientar na alta e nos retornos.

As primeiras 24 horas

É o período de mais sintomas nas duas técnicas. Ardor, sensação de areia, lacrimejamento e sensibilidade à luz são esperados, e o melhor lugar para passar essas horas é um ambiente escuro, de olhos fechados, com os colírios no horário. Dormir logo depois da cirurgia ajuda, porque de olhos fechados a superfície se recupera mais rápido e o incômodo passa despercebido.

No LASIK, o desconforto costuma ser leve e passa ao longo do primeiro dia. A visão pode estar clara já na manhã seguinte, ainda com alguma oscilação. O cuidado essencial dessa fase é não encostar nos olhos: a lamela está reposicionada, mas ainda não aderiu com firmeza, e coçar ou esfregar pode deslocá-la. O protetor plástico para dormir existe exatamente para impedir que a mão vá ao olho durante o sono.

No PRK, as primeiras 48 horas são as mais incômodas, com dor moderada que a lente terapêutica, os colírios e o analgésico oral prescrito controlam. A visão fica embaçada e isso é normal: o epitélio ainda está se refazendo por baixo da lente. Ninguém deve avaliar o resultado do PRK pelo que enxerga no primeiro dia.

Nas duas técnicas, lave bem as mãos antes de pingar cada colírio, não encoste o bico do frasco no olho e respeite o intervalo de alguns minutos entre um colírio e outro para que um não lave o anterior.

Do terceiro ao sétimo dia

Aqui os dois caminhos se separam de vez. Quem fez LASIK, em geral, já está trabalhando. Na Clínica Vision a volta ao trabalho é no dia seguinte, e o retorno às atividades físicas leves acontece em poucos dias, conforme a liberação do cirurgião. A visão está funcional para o dia a dia, com pequenas flutuações de nitidez ao longo do dia e halos ao redor das luzes à noite, que tendem a diminuir nas semanas seguintes.

Quem fez PRK ainda está em recuperação. A visão flutua, às vezes clara pela manhã e embaçada à tarde, e a sensibilidade à luz persiste. É a fase em que o paciente se pergunta se algo deu errado. Não deu: o epitélio novo ainda é irregular e a nitidez vai se ajustando conforme ele amadurece. A lente de contato terapêutica é retirada pelo cirurgião no consultório, em geral entre o quarto e o sétimo dia, quando o epitélio fechou.

Por isso o PRK pede afastamento maior. Na Clínica Vision, a volta ao trabalho é em cerca de uma semana, e a atividade física, também depois de uma semana. Os serviços de referência publicam algo entre cinco e oito dias de atestado para o PRK, contra um ou dois para o LASIK, e o número exato vem do cirurgião, que vê o olho no retorno.

Em ambas as técnicas, o banho de chuveiro está liberado desde o primeiro dia, mas com os olhos fechados e sem jato de água direto no rosto na primeira semana. Lavar o cabelo pede cuidado dobrado, porque xampu no olho operado arde e irrita.

Da segunda à quarta semana: esporte, piscina, maquiagem e telas

Com a superfície fechada, a vida começa a voltar ao normal, mas em ordem. Caminhada, bicicleta ergométrica e musculação leve costumam ser liberadas primeiro, com uma regra de bolso: o suor não pode escorrer para dentro do olho. Esportes de contato e esportes com bola, que trazem risco de pancada, ficam para mais tarde, em geral após um mês no LASIK, porque a lamela ainda está ganhando aderência.

Piscina, mar, lagoa e sauna ficam suspensos por cerca de trinta dias nas duas técnicas. A água parada carrega microrganismos, e o olho operado é uma porta de entrada para infecção enquanto a superfície termina de se restabelecer. Quem voltar a nadar depois desse período deve usar óculos de natação por um bom tempo.

Maquiagem nos olhos, incluindo rímel, lápis e sombra, fica fora por uma a duas semanas conforme a orientação do cirurgião, com serviços de referência recomendando até quinze dias. Quando voltar, use produtos novos, porque os antigos podem estar contaminados, e retire com delicadeza, sem esfregar. Creme, hidratante e filtro solar no rosto também pedem cuidado para não escorrer para os olhos.

Telas não são proibidas em nenhum momento. Celular, computador e televisão podem ser usados desde os primeiros dias, mas em doses menores, porque ao olhar para uma tela piscamos menos e o olho resseca. Se a leitura embaçar ou arder, é sinal de pausa e de lubrificante, não de problema. Nas primeiras semanas, os intervalos frequentes e o colírio lubrificante ao alcance da mão fazem a diferença.

O olho seco é o sintoma mais comum dessa fase e o mais duradouro. A cirurgia altera temporariamente os nervos da córnea que comandam a produção da lágrima, então ardor, sensação de areia e visão que clareia ao piscar são esperados. O lubrificante prescrito entra várias vezes ao dia, mesmo sem sintoma, e ambientes com ar-condicionado, vento e poeira pioram tudo.

De um a três meses: estabilização e retornos

A visão do LASIK costuma estar estável no primeiro mês, com ajustes finos até o terceiro. A do PRK segue melhorando de forma gradual, e é comum que só se estabilize por completo entre o segundo e o terceiro mês. Nos dois casos, os serviços de referência descrevem mudanças frequentes na nitidez nos primeiros noventa dias como parte normal do processo, e o olho seco atinge o pico nos primeiros três meses antes de melhorar ao longo do ano.

Os retornos seguem esse ritmo: um no dia seguinte, outro na primeira semana, depois em torno de um mês e de três meses, com o calendário definido pelo cirurgião. É neles que o médico avalia a superfície da córnea, ajusta os colírios, retira a lente terapêutica do PRK e mede o grau residual. Faltar a um retorno para poupar tempo é uma economia ruim, porque é ali que um problema pequeno é resolvido antes de virar grande.

Alguns colírios são retirados cedo, outros continuam por semanas. O lubrificante em geral é o último a sair, e há quem precise dele por meses. Os óculos escuros seguem na rotina para exposição ao sol, com alguns serviços recomendando proteção ultravioleta por até seis meses após a cirurgia, e ainda mais tempo no PRK.

Um detalhe que costuma surpreender: mesmo depois de deixar os óculos, a consulta anual com o oftalmologista continua. A cirurgia corrige o grau, mas não substitui o acompanhamento da saúde do olho ao longo da vida.

Sinais de alerta: quando ligar para a clínica antes do retorno

A regra dos grandes hospitais de olhos é simples e vale aqui: qualquer intercorrência antes do retorno marcado deve ser comunicada para que o cirurgião defina a conduta. Não espere a próxima consulta se aparecer algum dos sinais abaixo.

  • Dor forte que não melhora com o analgésico prescrito, ou dor que estava melhorando e voltou a piorar
  • Piora súbita da visão depois de um período em que ela estava clareando
  • Secreção amarelada ou esverdeada, pálpebras grudadas ao acordar por secreção, e não por lágrima seca
  • Vermelhidão intensa que aumenta em vez de diminuir a cada dia
  • Sensibilidade à luz que piora depois do terceiro dia, em vez de melhorar
  • No PRK, lente terapêutica que saiu do lugar ou caiu: não recoloque, ligue para a clínica
  • No LASIK, qualquer trauma no olho, mesmo leve, como uma mão ou um dedo de criança

O que não fazer, do primeiro dia em diante

A maior parte dos problemas do pós-operatório da cirurgia refrativa não vem da cirurgia, vem do que o paciente faz depois dela. A lista abaixo resume o que os serviços de referência pedem, e o cirurgião pode acrescentar itens conforme o seu caso.

  • Coçar ou esfregar os olhos, em nenhum momento das primeiras semanas. Se coçar, compressa gelada sobre a pálpebra fechada alivia
  • Dormir sem o protetor plástico nos primeiros dias, principalmente no LASIK
  • Tirar a lente terapêutica do PRK por conta própria
  • Nadar em piscina, mar ou lagoa, ou entrar em sauna, por cerca de trinta dias
  • Jogar água direto nos olhos ou lavar o rosto com força na primeira semana
  • Usar maquiagem nos olhos antes da liberação, ou reaproveitar maquiagem antiga depois dela
  • Dirigir no dia da cirurgia e enquanto a visão estiver oscilando, sobretudo à noite
  • Pular horário de colírio ou interromper um colírio antes do prazo porque o olho parece bom
  • Sair ao sol sem óculos escuros com proteção ultravioleta
  • Praticar esporte de contato ou com bola antes da liberação do cirurgião

Este artigo aprofunda uma dúvida. O procedimento por inteiro, quem faz e como agendar estão na página de cirurgia refrativa.

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Perguntas frequentes

Quando posso trabalhar no computador?

Telas não são proibidas. No LASIK, o trabalho em geral volta no dia seguinte, e no PRK em cerca de uma semana, conforme a orientação do cirurgião. O que muda nas primeiras semanas é a dose: pausas frequentes, porque na tela piscamos menos, e colírio lubrificante ao alcance da mão. Se a visão embaçar ou arder, é hora de parar alguns minutos.

Quando posso malhar?

Atividade física leve, como caminhada e musculação sem esforço extremo, costuma ser liberada em poucos dias no LASIK e após cerca de uma semana no PRK, sempre com cuidado para o suor não escorrer para os olhos. Esportes de contato, com bola ou com risco de pancada esperam mais, em geral um mês. A liberação de cada modalidade é do cirurgião, no retorno.

Olho seco depois da refrativa é normal?

Sim, é o sintoma mais comum do pós-operatório. A cirurgia altera temporariamente os nervos da córnea que comandam a lágrima, e ardor, sensação de areia e visão que clareia ao piscar são esperados. O pico costuma ser nos primeiros três meses, com melhora ao longo do ano. O lubrificante prescrito deve ser usado nos horários, mesmo sem sintoma, e o cirurgião ajusta a frequência nos retornos.

Quanto tempo sem maquiagem?

Entre uma e duas semanas sem maquiagem na região dos olhos, conforme a orientação do cirurgião, com serviços de referência recomendando até quinze dias. Na volta, use produtos novos, porque rímel e lápis antigos podem estar contaminados, e retire sem esfregar.

Quando a visão fica estável de vez?

No LASIK, a visão costuma estar funcional no dia seguinte e estável no primeiro mês, com ajustes finos até o terceiro. No PRK, a melhora é gradual e a estabilização completa costuma ficar entre o segundo e o terceiro mês. Flutuações de nitidez nos primeiros noventa dias fazem parte do processo nas duas técnicas.

Conteúdo educativo, revisado pelo corpo clínico. Não substitui a consulta. A indicação de qualquer exame ou tratamento é feita em avaliação médica individual. As afirmações médicas seguem fontes citadas ao longo do texto: sociedades médicas brasileiras, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Agência Nacional de Saúde Suplementar.

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