LASIK ou PRK: qual é indicada para você
LASIK e PRK corrigem o mesmo grau com o mesmo laser. A diferença está no acesso à córnea: o LASIK abre uma lamela fina e a PRK remove a camada superficial. A escolha não é preferência do paciente: sai da espessura e da curvatura da córnea, do grau, do olho seco e da rotina de quem vai operar.

Duas técnicas, um mesmo laser
Quem pesquisa cirurgia refrativa costuma chegar à mesma dúvida: LASIK ou PRK? A resposta curta é que as duas fazem a mesma coisa. Ambas usam o excimer laser para remodelar a córnea e corrigir miopia, hipermetropia e astigmatismo. O que muda é o caminho até o ponto onde o laser trabalha, e é esse caminho que define a recuperação, o desconforto dos primeiros dias e, principalmente, quem pode fazer cada uma.
Na Clínica Vision, as duas técnicas são oferecidas: LASIK e PRK transepitelial, ambas com anestesia em colírio. A indicação sai dos exames que medem espessura, curvatura e qualidade óptica da córnea, feitos antes de qualquer decisão. Este artigo explica o que cada exame procura e por que a técnica não é uma escolha de gosto.
Como o LASIK funciona e como a PRK funciona
A córnea tem camadas. A mais externa é o epitélio, uma película de células que se regenera sozinha. Abaixo dela fica o estroma, a parte espessa que dá forma à córnea e que o laser remodela. As duas técnicas precisam chegar ao estroma. Elas só chegam de jeitos diferentes.
No LASIK, um laser de femtosegundo cria um retalho fino e circular na superfície da córnea, o flap. Esse retalho é levantado como uma tampa, o excimer laser remodela o estroma por baixo, e o retalho é reposicionado sem pontos. Como o epitélio fica preservado no flap, a superfície do olho está praticamente íntegra ao final da cirurgia. Por isso a visão volta tão rápido.
Na PRK, não há flap. O epitélio é removido por completo na área a ser tratada, o excimer laser trabalha diretamente na superfície do estroma, e uma lente de contato terapêutica, sem grau, é colocada para proteger o olho enquanto o epitélio cresce de novo. Na variante transepitelial, que é a usada na Clínica Vision, o próprio laser faz essa remoção. O olho precisa reconstruir a camada removida, e isso leva dias. É daí que vem a recuperação mais lenta.
A diferença essencial, portanto, é a profundidade do acesso. No LASIK o laser age mais fundo, sob um retalho. Na PRK ele age na superfície, sem cortar a córnea. Cada um desses caminhos tem uma consequência prática, e é isso que o exame pesa.
- Lamela fina levantada, laser age no estroma
- Visão útil costuma voltar em 24 a 48 horas
- Desconforto leve, que passa no primeiro dia
- Pede córnea com espessura de sobra para a lamela
- Impacto no olho pode deslocar a lamela
- Epitélio removido, laser age na superfície
- Visão clareia de forma gradual em 5 a 7 dias
- Dois ou três dias mais incômodos
- Indicada quando a córnea é mais fina
- Sem lamela para deslocar em caso de trauma
A escolha sai dos exames de espessura, curvatura e superfície ocular, e não da preferência do paciente.
O que o exame olha para escolher
O primeiro número é a espessura da córnea, medida pela paquimetria. O flap do LASIK consome parte dessa espessura, e o laser consome mais um tanto proporcional ao grau. Precisa sobrar córnea suficiente e segura depois de tudo. No Censo Brasileiro de Cirurgia Refrativa, a maioria dos cirurgiões considera 500 micra a paquimetria mínima para o LASIK, enquanto para a PRK o limite mais citado é 480 micra. Uma córnea mais fina, que não comporta o flap com margem, leva a indicação para a PRK. É a razão mais frequente para a técnica ser escolhida.
O segundo é a curvatura, vista na topografia ou na tomografia de córnea. O exame desenha o relevo da córnea ponto a ponto e mostra se ela tem o formato regular esperado ou se há irregularidade. Uma curvatura fora do padrão pode contraindicar o LASIK, favorecer a PRK ou, em alguns casos, contraindicar as duas.
O terceiro é o grau. Quanto maior a miopia, mais tecido o laser precisa remover, e mais espessura precisa sobrar. Grau alto em córnea limítrofe é uma combinação que o exame pesa com cuidado. O quarto é a superfície ocular: quem já tem olho seco tende a sentir o sintoma piorar por um tempo depois de qualquer refrativa, e o LASIK, por cortar mais fibras nervosas da córnea ao criar o flap, costuma ter impacto maior no filme lacrimal. Olho seco leve não impede a cirurgia, mas entra na conta. Olho seco grave é contraindicação.
- Paquimetria: espessura da córnea, em micra
- Topografia ou tomografia: curvatura e regularidade da córnea
- Refração: o grau a corrigir e há quanto tempo está estável
- Avaliação da superfície ocular: lágrima e sinais de olho seco
Profissão, esporte e risco de trauma
Nem tudo que define a técnica está no olho. Uma parte está na rotina de quem vai operar. O flap do LASIK cicatriza rápido, mas continua sendo um retalho, e um impacto direto no olho, sobretudo nas primeiras semanas, pode deslocá-lo. Coçar os olhos com força nos primeiros dias também é um risco descrito para o flap.
Por isso, quem pratica esporte de contato, como lutas, ou trabalha em atividade com risco real de trauma ocular, como policiais, militares e bombeiros, muitas vezes recebe indicação de PRK mesmo tendo córnea espessa. Sem flap, não há retalho para deslocar. A superfície volta a ser uma peça única depois que o epitélio se refaz.
A pergunta sobre rotina faz parte da consulta. Vale contar o que você faz no trabalho, que esporte pratica e como está sua agenda para os dias seguintes. Nada disso é detalhe.
Recuperação: o que esperar em cada uma
No LASIK, a visão costuma melhorar já nas primeiras horas e boa parte dela está recuperada em 24 a 48 horas. A maioria das pessoas volta ao trabalho no dia seguinte e retoma atividade física em poucos dias. O desconforto é leve: sensação de areia, lacrimejamento e sensibilidade à luz que passam com os colírios prescritos. Um protetor plástico ao dormir nos primeiros dias evita o esbarrão involuntário no olho.
Na PRK, os primeiros dois ou três dias são os mais incômodos. Queimação, lacrimejamento, sensibilidade à luz e visão embaçada são esperados, porque o epitélio está sendo reconstruído. A lente de contato terapêutica fica no olho por cerca de 5 a 7 dias, até a superfície se fechar, e é retirada no consultório. A visão vai clareando de forma gradual, e a volta ao trabalho acontece em torno de uma semana, com atividade física depois disso.
Nas duas, os colírios são a parte central do pós-operatório: antibiótico, anti-inflamatório e lubrificante, no horário prescrito. Água no olho, piscina, mar e sol forte ficam suspensos por um período, mais longo na PRK do que no LASIK. Óculos escuros ajudam bastante na primeira semana. A PRK também pede proteção contra sol por mais tempo, porque a exposição durante a cicatrização pode gerar uma opacidade superficial na córnea, chamada haze, que os colírios e a proteção previnem.
- LASIK: visão útil em 24 a 48 horas, trabalho no dia seguinte, desconforto leve
- PRK: 5 a 7 dias de lente terapêutica, desconforto nos primeiros dias, trabalho em cerca de uma semana
- Nas duas: colírios no horário, nada de coçar os olhos, sem água no olho nos primeiros dias
E o resultado no longo prazo?
Aqui está o ponto que mais surpreende quem chega achando que uma técnica é superior à outra. Passado o período de cicatrização, o resultado das duas é comparável. O laser é o mesmo, a correção do grau é a mesma, e a córnea remodelada é a mesma. O que difere é o caminho e as primeiras semanas, não o destino. Quem faz PRK sofre mais nos primeiros dias e chega ao mesmo lugar em algumas semanas. Quem faz LASIK chega antes.
Isso muda a forma de decidir. Se o objetivo fosse só o resultado, tanto faria. Como o resultado é comparável, o que pesa é o que a sua córnea comporta com segurança e o que a sua rotina permite. Ninguém precisa escolher a técnica de recuperação mais lenta por acreditar que ela dura mais. E ninguém precisa forçar o LASIK numa córnea limítrofe para ganhar alguns dias. A segurança da córnea vem primeiro.
Em qualquer uma, existe a possibilidade de grau residual pequeno, e de um retoque em casos específicos. O acompanhamento no pós-operatório existe para medir isso. É outra razão para operar onde a avaliação e o retorno acontecem no mesmo lugar.
Quem não pode fazer nenhuma das duas
Há situações em que a resposta não é LASIK nem PRK, e sim esperar ou procurar outro caminho. A primeira é o ceratocone, uma doença em que a córnea afina e se deforma de forma progressiva. Remover tecido de uma córnea que já está enfraquecendo agrava a doença, então o ceratocone contraindica a refrativa a laser nas duas formas. É justamente para flagrar sinais iniciais dele que a topografia é obrigatória antes de operar.
A segunda é o grau instável. Operar um olho que ainda está mudando corrige o grau de hoje, não o de amanhã. Por isso a exigência é de grau estável há pelo menos 12 meses e idade mínima de 18 anos. A terceira é a gestação: as alterações hormonais mexem na curvatura da córnea e no grau, e o resultado medido nesse período não é confiável. A cirurgia espera o fim da gestação. Doenças autoimunes sem controle, diabetes descompensado, herpes ocular e olho seco grave também entram na lista de condições que o exame avalia antes de liberar qualquer técnica.
Nada disso é sentença. Ceratocone tem tratamento próprio, grau instável estabiliza, gestação termina. O que não muda é a ordem: primeiro o exame, depois a decisão.
A decisão é do exame, não do paciente
Depois de tudo isso, a pergunta LASIK ou PRK deixa de ser uma escolha entre duas opções de cardápio e vira uma leitura de exame. Espessura, curvatura, grau, superfície ocular e rotina. Cada um desses itens empurra a indicação para um lado, e é o conjunto que define. O que você pode fazer é chegar à consulta com as perguntas certas e a agenda dos dias seguintes em mente.
Na Clínica Vision, quem opera é o Dr. Ricardo Martin, que realiza cirurgias refrativas a laser desde 1998, com mais de 10.000 procedimentos, no centro cirúrgico próprio da clínica. A avaliação completa da córnea é o primeiro passo, e é ela que responde qual técnica é a sua. Se quiser saber se tem indicação, e para qual das duas, a página de cirurgia refrativa explica como funciona a avaliação e como agendar.
Este artigo aprofunda uma dúvida. O procedimento por inteiro, quem faz e como agendar estão na página de cirurgia refrativa.
Tirar minha dúvida no WhatsAppPerguntas frequentes
PRK dói?
A cirurgia em si não, porque é feita com anestesia em colírio. O desconforto vem nos dois ou três primeiros dias do pós-operatório, enquanto o epitélio se refaz: queimação, lacrimejamento e sensibilidade à luz. A lente de contato terapêutica e os colírios prescritos controlam esses sintomas, que diminuem dia a dia.
LASIK ou PRK, qual é mais segura?
As duas são seguras quando bem indicadas. A segurança depende de operar a técnica certa na córnea certa. O LASIK exige espessura suficiente para o flap e a PRK é a indicada quando a córnea é mais fina ou quando há risco de trauma. A pergunta certa não é qual técnica é mais segura, e sim qual é a segura para a sua córnea.
Posso escolher entre LASIK e PRK?
Em parte. Quando os exames mostram que as duas são possíveis com segurança, sua rotina, sua profissão e sua disponibilidade para a recuperação entram na conversa. Quando a córnea é limítrofe para o flap, a indicação é PRK, e isso não é uma escolha do paciente.
O resultado do LASIK é melhor que o da PRK?
Não. Passada a cicatrização, o resultado das duas técnicas é comparável, porque o laser e a correção são os mesmos. A diferença está no tempo de recuperação e no desconforto das primeiras semanas, não no grau final.
Quanto tempo depois volto a enxergar bem?
No LASIK, a visão útil costuma voltar em 24 a 48 horas, com trabalho no dia seguinte. Na PRK, a visão clareia de forma gradual ao longo de 5 a 7 dias, enquanto a lente terapêutica protege o olho, e a volta ao trabalho fica em torno de uma semana.
Conteúdo educativo, revisado pelo corpo clínico. Não substitui a consulta. A indicação de qualquer exame ou tratamento é feita em avaliação médica individual. As afirmações médicas seguem fontes citadas ao longo do texto: sociedades médicas brasileiras, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Agência Nacional de Saúde Suplementar.
