Glaucoma

Glaucoma tem cura? O que existe é controle, e ele funciona

Por Dr. Wanderlei de Sá Filho, CRM-MG 38468 · RQE 14003 ·

O glaucoma não tem cura porque a lesão que ele causa no nervo óptico não se recupera. O que existe é controle da pressão intraocular, com colírio, laser ou cirurgia, e quem controla preserva a visão que ainda tem. Por isso o diagnóstico precoce e o tratamento sem interrupção fazem toda a diferença.

Exame de acompanhamento do glaucoma na Clínica Vision

A resposta direta: não tem cura, tem controle

Quem recebe o diagnóstico de glaucoma, ou tem alguém da família com a doença, costuma fazer a mesma pergunta na primeira consulta: isso tem cura? A resposta honesta é não. O glaucoma é uma doença crônica e o Ministério da Saúde a descreve, no protocolo clínico oficial, como uma doença incurável, com tratamento contínuo e sem duração predeterminada.

Mas essa resposta precisa vir junto com a segunda metade, que é a que importa no dia a dia: o glaucoma tem controle, e o controle funciona. Segundo a Sociedade Brasileira de Glaucoma, os colírios, o laser ou a cirurgia podem interromper ou retardar a perda de visão. Quem controla a pressão do olho preserva a visão que ainda tem.

O motivo de não existir cura está no tipo de dano. O glaucoma lesiona o nervo óptico, que é o cabo que leva a imagem do olho até o cérebro. As fibras desse nervo, uma vez perdidas, não se recuperam. Nenhum colírio, laser ou cirurgia devolve o que foi perdido. O que o tratamento faz é impedir que a perda continue. É exatamente isso que a Clínica Vision explica na página de tratamento de glaucoma: o dano não volta atrás, e o objetivo é controlar a pressão para preservar o que existe.

Por que o glaucoma não dá sintoma no começo

O glaucoma é chamado de ladrão silencioso da visão por uma razão concreta. Na forma mais comum, a de ângulo aberto, a evolução é lenta e, na maior parte do tempo, sem sintoma nenhum. O protocolo do Ministério da Saúde registra que, fora o glaucoma agudo, de início súbito, a doença evolui devagar e de modo principalmente assintomático. A Sociedade Brasileira de Glaucoma resume assim: na grande maioria das vezes ela não traz sintoma nem sinal.

Isso acontece porque a perda começa pela visão periférica, a visão lateral. A pessoa continua lendo, dirigindo e reconhecendo rostos, porque a visão central, a que usamos para focar, é a última a ser atingida. Enquanto isso, o campo de visão vai estreitando pelas bordas sem que ela perceba. Quando a perda chega ao centro, o dano já é grande e irreversível.

É por isso que esperar sentir algo é a pior estratégia possível com o glaucoma. O sintoma, quando aparece, é sinal de doença avançada. A única forma de descobrir cedo é fazer o exame antes de qualquer queixa, principalmente quem tem fator de risco.

Glaucoma: o que o tratamento faz e o que ele não faz
O que o controle fazcom colírio, laser SLT ou cirurgia
  • Baixa a pressão intraocular até o nível seguro
  • Interrompe ou retarda a perda de visão
  • Preserva a visão que ainda existe
  • Reduz a dependência do colírio em parte dos casos
O que ele não fazpor isso não existe cura
  • Não recupera as fibras perdidas do nervo óptico
  • Não devolve o campo de visão já perdido
  • Não tem alta: o tratamento é contínuo
  • Não pode ser interrompido por conta própria

Por isso o diagnóstico precoce importa: o que se preserva é a visão que ainda existe no dia em que a doença é descoberta.

Quem tem mais risco de desenvolver glaucoma

Qualquer pessoa pode ter glaucoma, mas alguns fatores aumentam a chance de forma clara. Os que aparecem no protocolo do Ministério da Saúde e nos materiais da Sociedade Brasileira de Glaucoma são estes:

  • Pressão intraocular elevada. É o fator de risco mais relevante e o mais estudado, e o único que o tratamento consegue modificar. Os valores considerados normais ficam entre 10 e 21 mmHg.
  • Idade acima de 40 anos. A prevalência sobe conforme a idade avança.
  • Histórico familiar. Basta um caso na família para aumentar de forma significativa a chance de desenvolver a doença. Um estudo citado no protocolo mostra que quem tem irmão com glaucoma tem chance 9,2 vezes maior que a população geral.
  • Afrodescendência. A prevalência é maior e a chance de cegueira pela doença é maior em pessoas negras e latinas, segundo o protocolo do Ministério da Saúde.
  • Miopia, principalmente a miopia mais alta, para o glaucoma de ângulo aberto. Hipermetropia acentuada aumenta o risco do tipo de ângulo fechado.
  • Diabetes tipo 2. O dano nos pequenos vasos do nervo óptico causado pelo diabetes aumenta a prevalência de glaucoma.
  • Uso contínuo de medicamentos à base de corticoide, em qualquer forma.
  • Trauma ocular, listado pela Sociedade Brasileira de Glaucoma.

Como é feito o diagnóstico

Nenhum exame isolado fecha o diagnóstico de glaucoma. O oftalmologista junta várias peças, e é essa combinação que permite pegar a doença ainda no estágio inicial, antes de qualquer sintoma. O que costuma entrar na avaliação:

  • Medição da pressão intraocular, a tonometria. O protocolo do Ministério da Saúde recomenda medir em dias e horários diferentes, porque a pressão do olho oscila ao longo do dia e uma medida única pode não mostrar o pico.
  • Exame de fundo de olho, para avaliar o nervo óptico e a camada de fibras nervosas. É aqui que o médico enxerga o sinal do dano, a escavação aumentada do nervo.
  • Campo visual, a campimetria. Mapeia o que a pessoa enxerga em cada ponto do campo de visão e detecta as falhas periféricas que ela ainda não percebe.
  • OCT, a tomografia de coerência óptica. Mede a espessura da camada de fibras do nervo óptico com precisão de micrômetros e ajuda a confirmar o diagnóstico em casos suspeitos e a acompanhar a evolução.
  • Gonioscopia. Examina o ângulo de drenagem do olho e define se o glaucoma é de ângulo aberto ou fechado, o que muda o tratamento.
  • Paquimetria, a medida da espessura da córnea. Córneas mais finas subestimam a pressão medida, córneas mais espessas superestimam. Sem esse dado, a leitura da pressão pode enganar.

Como o glaucoma é controlado

Todo tratamento de glaucoma tem o mesmo alvo: baixar a pressão intraocular a um nível em que o nervo óptico pare de sofrer dano. O caminho para chegar lá depende do tipo e do estágio da doença, e é definido caso a caso. Na Clínica Vision, o primeiro passo costuma ser o colírio diário, e o laser SLT e a cirurgia entram conforme a indicação.

Colírios. São o tratamento inicial na maioria dos casos e, segundo a Sociedade Brasileira de Glaucoma, são eficazes na redução da pressão na maior parte dos pacientes. Existem várias classes de medicação, algumas usadas uma vez ao dia, outras duas ou três vezes, e o médico pode combinar mais de uma quando uma só não basta.

Laser SLT. A trabeculoplastia seletiva a laser melhora a drenagem do humor aquoso, o líquido que enche a parte da frente do olho, e assim reduz a pressão. É feita no consultório, em poucos minutos, sem corte. A Sociedade Brasileira de Glaucoma descreve o laser como um recurso usado quando o colírio não produz o efeito desejado, e o Hospital de Olhos do Paraná registra que a técnica pode reduzir a pressão em até 30%. Nem todo paciente se beneficia, e depois do laser parte deles continua precisando de alguma medicação.

Cirurgia. Quando colírio e laser não são suficientes, ou quando o paciente não tolera a medicação ou não consegue usar direito, entra a cirurgia. Ela cria uma nova via de drenagem para o humor aquoso. O protocolo do Ministério da Saúde a indica justamente nesses cenários: tratamento clínico ineficaz, intolerável ou sem adesão.

Por que não se pode parar o colírio por conta própria

Aqui está o ponto em que mais pacientes se perdem. A pressão baixou, o exame veio bom, a pessoa se sente bem e conclui que o problema acabou. Não acabou. A pressão está normal porque o colírio está agindo. Sem ele, ela volta a subir, e o nervo volta a ser lesionado, tudo em silêncio, sem nenhum aviso.

A Sociedade Brasileira de Glaucoma alerta que estudos comprovam que menos da metade dos pacientes com glaucoma usa as gotas de acordo com a recomendação médica. Isso significa que boa parte da perda de visão por glaucoma não vem da falta de tratamento, e sim de tratamento interrompido ou feito pela metade.

O protocolo do Ministério da Saúde é claro: o tratamento é contínuo. Retirar algum colírio só é considerado pelo médico quando a pressão está controlada e ficou comprovado que a doença não progrediu, e mesmo assim, se a progressão for detectada depois, a medicação volta. Essa decisão é do oftalmologista, com exame na mão. Nunca do paciente, pela sensação de estar bem.

Se o colírio incomoda, arde, deixa o olho vermelho ou é difícil de encaixar na rotina, a resposta não é parar. É contar ao médico. Existem outras classes de medicação, combinações, e o laser SLT existe em parte para reduzir a dependência do colírio em quem tem dificuldade com ele.

Com que frequência acompanhar

Glaucoma é acompanhamento para a vida toda. Como o objetivo é impedir a progressão, o médico precisa conferir com regularidade se a pressão está no alvo e se o nervo e o campo visual continuam estáveis. O intervalo entre as consultas é definido pelo oftalmologista e varia com o estágio da doença, a resposta ao tratamento e a estabilidade dos exames: quem acabou de começar o tratamento ou trocou de medicação costuma voltar mais cedo, quem está estável há tempo pode espaçar.

Nas consultas de acompanhamento, a pressão é medida de novo e, periodicamente, o campo visual e o OCT são repetidos para comparar com os anteriores. É essa comparação ao longo do tempo que mostra se o controle está funcionando ou se é hora de ajustar. Quem tem fator de risco mas ainda não tem glaucoma também deve manter exames regulares, mesmo sem sintoma, porque a única forma de descobrir a doença cedo é procurá-la antes de sentir.

O que acontece se não tratar

Sem tratamento, a pressão continua alta e o nervo óptico continua perdendo fibras. A visão periférica vai se fechando até restar apenas a visão central, o chamado efeito de túnel, e depois ela também é atingida. O desfecho é a cegueira irreversível. O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo, segundo o protocolo do Ministério da Saúde, e a segunda causa de cegueira em geral, atrás apenas da catarata. A diferença é que a catarata tem cirurgia que devolve a visão. O glaucoma não.

A boa notícia é que esse desfecho não é inevitável. Ele é o que acontece quando a doença não é descoberta ou quando o tratamento é abandonado. Com diagnóstico a tempo e controle mantido, a enorme maioria das pessoas com glaucoma segue enxergando pelo resto da vida. Se você tem mais de 40 anos, alguém na família com glaucoma ou qualquer outro fator de risco, o passo mais importante é simples: agendar o exame antes de sentir qualquer coisa.

Este artigo aprofunda uma dúvida. O procedimento por inteiro, quem faz e como agendar estão na página de tratamento de glaucoma.

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Perguntas frequentes

Glaucoma tem cura?

Não. A lesão que o glaucoma causa no nervo óptico não se recupera, e por isso a doença é considerada incurável. Mas tem controle: com colírio, laser SLT ou cirurgia, a pressão do olho é mantida em um nível seguro e a visão que existe é preservada. O tratamento é contínuo e para a vida toda.

Glaucoma cega?

Pode cegar, se não for tratado. É a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Mas a cegueira é o desfecho da doença sem controle, não da doença em si. Com diagnóstico precoce e tratamento mantido sem interrupção, a perda de visão pode ser interrompida ou retardada, e a maioria das pessoas segue enxergando.

Posso parar o colírio se a pressão normalizou?

Não por conta própria. A pressão está normal porque o colírio está agindo. Sem ele, ela volta a subir e o dano recomeça, sem sintoma. Retirar ou trocar medicação é decisão do oftalmologista, tomada com exames que comprovem controle e ausência de progressão. Se o colírio incomoda ou é difícil de usar, fale com o médico: existem outras opções, inclusive o laser.

Glaucoma é hereditário?

O histórico familiar é um dos principais fatores de risco. Basta um caso na família para aumentar de forma significativa a chance de desenvolver a doença, e quem tem irmão com glaucoma tem chance bem maior que a população geral. Isso não significa que todo filho ou irmão vai ter glaucoma, mas significa que precisa fazer exame regular, mesmo sem sintoma.

Quais são os primeiros sintomas do glaucoma?

Na forma mais comum, nenhum. O glaucoma de ângulo aberto evolui devagar e em silêncio, começando pela visão periférica, que a pessoa não percebe perder. Quando surge sintoma, como dificuldade para enxergar no escuro ou perda da visão lateral, a doença já está avançada. O de ângulo fechado agudo é a exceção: causa dor forte, olho vermelho e visão embaçada de repente, e é urgência.

Conteúdo educativo, revisado pelo corpo clínico. Não substitui a consulta. A indicação de qualquer exame ou tratamento é feita em avaliação médica individual. As afirmações médicas seguem fontes citadas ao longo do texto: sociedades médicas brasileiras, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Agência Nacional de Saúde Suplementar.

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