Tratamento de olho seco
em Juiz de Fora.
Ardência no fim do dia, sensação de areia sem ter nada no olho, visão que embaça e melhora quando você pisca. Esses sintomas têm nome, têm causa e têm tratamento, e o primeiro passo é descobrir qual dos dois mecanismos pesa mais no seu caso, porque muitas vezes os dois estão presentes.
Não é frescura, é doença da superfície do olho
Olho seco é uma doença da lágrima e da superfície ocular. Ou o olho produz lágrima de menos, ou a lágrima que existe evapora rápido demais. Nos dois casos a superfície fica desprotegida, e é isso que gera a ardência, o incômodo e a visão que oscila.
A lágrima não é só água: ela tem uma camada de gordura por cima que impede a evaporação. Quando essa camada falha, o olho pode até lacrimejar muito e continuar seco. Por isso lacrimejamento não descarta o diagnóstico.
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Você reconhece algum destes?
- Ardência ou queimação, que costuma piorar ao longo do dia
- Sensação de areia ou de cisco, sem ter nada no olho
- Coceira e vermelhidão
- Visão que embaça e melhora quando você pisca
- Incômodo com luz, vento e ar-condicionado
- Olho lacrimejando muito, que parece o contrário de olho seco e não é
- Secreção ou remela ao acordar
- Dificuldade para usar lente de contato o dia inteiro
O que favorece
- Idade acima dos 40 anos
- Ser mulher, sobretudo depois da menopausa
- Muitas horas em tela, porque a pessoa pisca menos
- Uso de lentes de contato
- Remédios de uso contínuo, como anti-histamínicos, antidepressivos e betabloqueadores
- Doenças como síndrome de Sjögren, artrite reumatoide, lúpus, diabetes e alterações da tireoide
- Anticoncepcional e isotretinoína, o remédio da acne
- Dermatite seborreica e rosácea
- Ambiente seco, ar-condicionado e vento
- Pós-operatório de cirurgia a laser para correção de grau, em geral transitório
Se o seu caso começou depois de uma cirurgia refrativa, o ressecamento costuma ser transitório e faz parte do acompanhamento normal do pós-operatório.
Qual é o seu tipo
Duas pessoas com a mesma queixa podem ter causas opostas, e é por isso que o mesmo colírio funciona para uma e não faz diferença para a outra.
Você produz pouca lágrima
A glândula lacrimal não entrega o volume necessário. Aparece mais com a idade, na menopausa, no uso de alguns remédios de uso contínuo e em doenças como a síndrome de Sjögren.
Sua lágrima evapora rápido demais
O volume até existe, mas a camada de gordura que segura a lágrima na superfície falha, por disfunção das glândulas de Meibômio, as glândulas da borda da pálpebra, muitas vezes ligada à blefarite. Hoje é considerado o tipo mais frequente, e piora em quem passa o dia na tela e pisca menos.
Como se chega ao diagnóstico
Tudo acontece na consulta, sem exame de imagem. O médico ouve o seu histórico, examina a superfície do olho e as pálpebras e mede a sua lágrima de duas formas: quanto você produz e quanto tempo ela leva para evaporar. É essa combinação que separa um mecanismo do outro e define o tratamento. Se você ainda não passou por uma avaliação completa, comece pelo exame de vista.
- Conversa e questionário de sintomas. O médico pergunta o que você sente, quando piora e o que já usou. Existe um questionário padronizado para isso, o OSDI, que transforma a queixa em uma medida comparável de uma consulta para a outra.
- Lâmpada de fenda. O exame que olha a superfície do olho e a borda da pálpebra com aumento. É nele que aparecem a inflamação da margem palpebral e o estado das glândulas que produzem a gordura da lágrima.
- Tempo de ruptura do filme lacrimal. Mede quantos segundos a lágrima aguenta sobre o olho antes de abrir a primeira falha. É o teste que identifica o olho seco evaporativo, aquele em que o volume existe mas não se sustenta.
- Teste de Schirmer. Uma tira de papel na pálpebra inferior mede quanta lágrima você produz em alguns minutos. É o teste que identifica a deficiência aquosa, quando a produção é que está baixa.
- Corantes. Uma gota de fluoresceína ou de lisamina verde mostra em cor onde a superfície do olho já está machucada pelo ressecamento. É o que separa o incômodo da lesão.
O tratamento vai do simples ao específico
Ninguém começa pelo procedimento. A conduta sobe de degrau conforme a resposta do seu olho, e muita gente não precisa passar do primeiro.
Lubrificação e cuidado das pálpebras
Lágrimas artificiais na frequência que o seu caso pede, higiene das pálpebras e compressa morna quando o problema é a evaporação. É a base de todo tratamento e, para muitos pacientes, o suficiente, desde que seja feito todo dia e do jeito certo. A compressa morna existe para amolecer e destravar a gordura das glândulas da pálpebra.
Medicação prescrita
Quando a lubrificação não basta, o médico pode indicar colírios anti-inflamatórios, ciclosporina, ômega 3 por via oral ou antibiótico, por via oral ou em colírio, pelo efeito anti-inflamatório nas glândulas da pálpebra. Tudo com receita e acompanhamento, porque colírio usado por conta própria piora quadro.
Procedimentos no consultório
Nos casos que não respondem, existe a oclusão do ponto lacrimal, que é um plug que segura a sua própria lágrima por mais tempo na superfície do olho. A indicação depende da avaliação e não é o ponto de partida de ninguém.

Controle é rotina, não alta
Olho seco melhora com constância. O resultado aparece com o uso regular, e some quando a pessoa para. Por isso a conversa na consulta é tão sobre o colírio quanto sobre a sua rotina: quantas horas de tela, se você dorme com ventilador ligado, quais remédios de uso contínuo você toma.
O acompanhamento existe para ajustar. O que funciona no verão pode não bastar no tempo seco, e a dose que resolveu no começo pode ser reduzida depois.
O que define o valor
Não existe preço único, e desconfie de quem anuncia um. O valor é fechado depois da avaliação, quando já se sabe o que o seu caso pede. Estes são os fatores que mais pesam:
- Se o seu caso se resolve com lubrificação ou pede medicação prescrita
- Quantos retornos o controle vai pedir no primeiro ano
- Se há uma doença de base a investigar junto
- Se a consulta entra pelo convênio ou é particular
A cobertura depende do seu plano
A consulta e os retornos são cobertos pelos convênios atendidos. Lágrimas artificiais e colírios são comprados na farmácia e não entram no plano, e procedimentos dependem da indicação e do seu contrato.
Especialista em superfície ocular
Olho seco é uma doença da superfície do olho. A Dra. Nicole fez fellowship clínico em Córnea e Doenças Oculares Externas na UNIFESP, que é a área que responde por essas doenças.
Perguntas frequentes
Olho seco tem cura?
Na maioria dos casos, não. Olho seco é uma condição crônica, e o objetivo do tratamento é controlar os sintomas e proteger a superfície do olho, não eliminar a doença de uma vez. A boa notícia é que o controle costuma ser bem-sucedido: com o tratamento certo para o seu tipo, os sintomas ficam sob controle e o desconforto deixa de mandar no seu dia.
Meu olho lacrimeja muito. Posso ter olho seco mesmo assim?
Pode, e é mais comum do que parece. Quando a superfície do olho fica irritada pela falta de lubrificação, o olho responde produzindo uma lágrima de reflexo, aguada, que escorre e não lubrifica. Lacrimejamento excessivo é um dos sinais clássicos de olho seco, não o oposto dele.
Posso usar colírio por conta própria?
Entre os colírios de farmácia, a lágrima artificial sem conservante é a de menor risco, mas ela alivia e não trata: se você já usa e o sintoma volta, é hora da consulta. O que não deve ser feito por conta própria é usar colírio que tira a vermelhidão ou colírio com corticoide. Os primeiros mascaram o problema, e os segundos, sem acompanhamento, podem elevar a pressão do olho e favorecer catarata.
Olho seco pode prejudicar a visão?
Sem tratamento, o ressecamento contínuo pode inflamar e machucar a córnea, que é a parte transparente na frente do olho. Isso vai de um desconforto que atrapalha ler e dirigir até lesões que exigem cuidado maior. É por isso que sintoma que não passa merece avaliação, e não mais um colírio de farmácia.
Passo o dia no computador. Isso causa olho seco?
Contribui bastante. Diante da tela a taxa de piscar pode cair pela metade, e é o piscar que espalha a lágrima e renova a proteção da superfície. A regra de 20 em 20 ajuda: a cada 20 minutos, olhe para algo distante por 20 segundos. Vale também manter a tela um pouco abaixo da linha dos olhos e não dormir com o ventilador ou o ar-condicionado soprando no rosto. Quando o sintoma já se instalou, porém, essas medidas sozinhas não resolvem.
Fiz cirurgia a laser e meu olho ficou seco. Isso passa?
Na maior parte dos casos, sim. A cirurgia a laser para correção de grau altera por um tempo a sensibilidade da córnea e, com ela, o reflexo que dispara a produção de lágrima. A recuperação costuma acontecer entre três e seis meses, com lubrificação no período. Se o sintoma passar disso, vale investigar se já havia olho seco antes da cirurgia.
Como é feito o diagnóstico?
Na consulta, e sem exame de imagem. O médico ouve o seu histórico, examina a superfície do olho e as pálpebras na lâmpada de fenda e mede a sua lágrima de duas formas: o teste de Schirmer, que mede quanto você produz, e o tempo de ruptura do filme lacrimal, que mede quantos segundos ela aguenta sobre o olho. Um corante mostra onde a superfície já está machucada. É essa combinação que separa o olho que produz pouca lágrima do olho cuja lágrima evapora rápido, e são tratamentos diferentes.
Pare de conviver com o incômodo
Se o colírio de farmácia já virou rotina e o sintoma continua voltando, é sinal de que falta descobrir qual é o seu tipo de olho seco. Isso se resolve em uma consulta.





