Catarata

Recuperação da cirurgia de catarata: as primeiras 24 horas, 7, 30 e 90 dias

Por Dr. Ricardo Martin, CRM-MG 29001 · RQE 16477 ·

A recuperação da cirurgia de catarata é rápida na maioria dos casos: a pessoa sai andando no mesmo dia, usa colírios por algumas semanas e retoma as atividades leves em poucos dias, conforme orientação do cirurgião. O que exige cuidado é a primeira semana: não coçar o olho, não molhar, não fazer esforço e não dormir sobre o lado operado. O grau estabiliza em algumas semanas, e só então os óculos novos são feitos.

Sala de espera da Clínica Vision, onde o acompanhante aguarda

O que esperar depois da cirurgia, sem susto

A cirurgia está marcada. A partir daí, a pergunta muda. Não é mais se vale a pena operar, e sim o que acontece depois: quantos dias de repouso, quando pode lavar o cabelo, quando volta a dirigir, se pode abaixar para calçar o sapato. Quem pergunta, quase sempre, é o filho ou a filha que vai acompanhar. Este texto responde em ordem, do dia da cirurgia até o terceiro mês.

A página de cirurgia de catarata explica como a cirurgia é feita, quais lentes existem e quem opera. Aqui o assunto é só a recuperação. Na Clínica Vision a cirurgia é feita em regime ambulatorial, com anestesia local e sedação leve, dura poucos minutos e é indolor. A recuperação costuma ser rápida: na maioria dos casos o paciente retoma as atividades habituais em poucos dias, com acompanhamento da mesma equipe que fez a cirurgia.

Uma regra vale para tudo o que vem a seguir. Os prazos são faixas, tiradas de protocolos de hospitais de referência. A palavra final sobre cada liberação é do cirurgião que operou e vai examinar o olho no retorno.

O dia da cirurgia

A cirurgia de catarata não precisa de internação. O olho é anestesiado com colírio anestésico, e uma sedação leve ajuda a pessoa a ficar tranquila. Ela fica acordada, sem dor, e não vê o que o cirurgião faz. Os hospitais de referência descrevem o procedimento em cerca de 15 a 30 minutos, e a pessoa vai para casa no mesmo dia, andando.

Ao sair do centro cirúrgico, o olho operado costuma ficar protegido por um curativo ou por um protetor rígido transparente. O protocolo do Hospital Israelita Albert Einstein prevê oclusor ou protetor nas primeiras 24 horas e o protetor para dormir por 3 noites seguidas. Ele evita que a pessoa esfregue o olho sem querer ou pressione o rosto no travesseiro.

Um ponto prático para organizar antes: o acompanhante. Por causa da sedação e do curativo, a pessoa não pode dirigir nem voltar sozinha. O jejum e os remédios de uso contínuo, como os de pressão e diabetes, seguem a orientação dada na consulta pré-operatória.

A recuperação em quatro marcos
  1. 24 horasVisão embaçada é esperada, o olho fica protegido, os colírios começam no horário e ninguém dirige.
  2. 7 diasLer, ver televisão e trabalhar sem esforço já costumam estar liberados; peso, piscina e maquiagem, não.
  3. 30 diasOs colírios vão sendo reduzidos nos retornos e o grau estabiliza para fazer os óculos novos.
  4. 90 diasO segundo olho é operado conforme a recuperação do primeiro. Embaçamento novo depois disso pede consulta.

Os prazos são faixas de protocolos de hospitais de referência. Cada liberação é do cirurgião que operou.

As primeiras 24 horas

A visão embaçada no primeiro dia é normal e esperada. Os hospitais de referência avisam que, passadas poucas horas, a visão ainda não fica nítida. Ela vai clareando ao longo dos dias seguintes. Também é comum sentir o olho arranhado, lacrimejando ou incomodado com a luz. Dor forte não é comum, e o bloco de sinais de alerta explica o que fazer nesse caso.

O que a pessoa faz nesse primeiro dia é pouco, e é isso que importa:

  • Descansar. O primeiro dia é o de maior cuidado. Andar pela casa pode, mas sem esforço, sem se abaixar bruscamente e sem carregar peso.
  • Começar os colírios no horário prescrito. Em geral são um antibiótico e um anti-inflamatório, às vezes na mesma embalagem, a cada 6 horas ou conforme o cirurgião indicar. Lavar as mãos antes de pingar e não encostar o bico do frasco no olho.
  • Não coçar, não esfregar e não apertar o olho. Nem por cima do protetor.
  • Não molhar o olho. Nesse dia, o banho é do pescoço para baixo, e o rosto é limpo com uma toalha úmida sem chegar perto do olho operado.
  • Dormir de barriga para cima ou sobre o lado não operado, com o protetor. O Hospital de Olhos do Paraná orienta evitar o lado operado para dormir principalmente durante a primeira semana.
  • Não dirigir. O Hospital CEMA recomenda não dirigir no mínimo nas primeiras 24 horas. O retorno, marcado para o dia seguinte, é feito com o acompanhante.

A primeira semana: o que pode e o que não pode

O retorno de 24 horas é o momento em que o cirurgião examina o olho, confirma que está tudo no lugar e libera o que pode ser feito a partir dali. Na maior parte dos casos, a partir do segundo ou terceiro dia a vida volta a ser quase normal, com algumas exceções que duram a semana inteira.

A lista abaixo separa o que costuma ser liberado cedo do que os hospitais de referência pedem para adiar por cerca de 7 dias, ou mais. Em todos os itens, a palavra final é de quem operou.

  • Pode: ver televisão, ler e usar o celular. Não fazem mal ao olho operado. Se cansar, é só parar.
  • Pode: cozinhar e cuidar da casa, desde que sem esforço e sem vapor ou fumaça direto no rosto.
  • Pode: caminhar e sair de casa, com óculos escuros durante o dia, que protegem da claridade e da poeira.
  • Pode: trabalhar. O protocolo do Einstein permite o retorno ao trabalho depois de 2 dias, se não houver esforço físico.
  • Pode, com cuidado: tomar banho e lavar o cabelo com a cabeça para trás, de olhos fechados, sem deixar a água ou o sabão escorrer para o olho. Muitos cirurgiões liberam isso já a partir do retorno; outros pedem alguns dias a mais.
  • Ainda não: esforço físico e peso. O Einstein restringe atividade física por 7 dias. Isso inclui academia, carregar compras, mover móveis e fazer força para evacuar.
  • Ainda não: abaixar a cabeça abaixo da linha da cintura. Para pegar algo no chão, agachar dobrando os joelhos em vez de curvar o tronco.
  • Ainda não: maquiagem nos olhos e creme no rosto. O CEMA orienta evitar os dois na recuperação, porque são fontes de contaminação perto do corte.
  • Ainda não: piscina, mar, hidromassagem e sauna. Ficam para depois da liberação, que costuma vir no retorno de uma semana ou de um mês.
  • Ainda não: dirigir. Depois das 24 horas, a liberação depende de como está a visão do olho operado e do outro olho. Quem tem catarata dos dois lados e operou só um pode enxergar com desequilíbrio entre eles até o segundo olho ser operado. Só volte ao volante quando o cirurgião liberar.

Até 30 dias: retorno, grau e óculos novos

Entre a primeira semana e o primeiro mês, os colírios vão sendo reduzidos até serem suspensos, conforme a receita. Os retornos seguem o calendário do cirurgião. Além do retorno de 24 horas, é comum um retorno perto de uma semana e outro perto de um mês. Nesses retornos ele mede a pressão do olho, confere a posição da lente e a cicatrização e ajusta a medicação.

Muita gente pergunta quando pode fazer os óculos novos. A resposta depende de o grau ter estabilizado. O Hospital de Olhos do Paraná lembra que a melhora aparece em alguns dias, mas a visão completa pode levar algumas semanas para se estabilizar. Fazer óculos antes disso é pagar por uma lente que vai ficar errada. O cirurgião diz, no retorno, quando o exame de refração pode ser feito.

Se a lente intraocular escolhida foi a monofocal, o mais comum é continuar precisando de óculos para perto, para ler e usar o celular. Se foi uma lente que corrige mais de uma distância, a dependência de óculos tende a ser menor. Isso foi definido na avaliação, antes da cirurgia, e o resultado é conferido nessa fase.

90 dias: o segundo olho e a opacificação da cápsula

Quem tem catarata nos dois olhos opera um de cada vez. A Diretriz de Catarata do Conselho Brasileiro de Oftalmologia registra que a cirurgia bilateral no mesmo dia não é recomendada, pelo risco de uma infecção grave atingir os dois olhos ao mesmo tempo. O intervalo entre um olho e outro varia de algumas semanas a alguns meses, conforme a recuperação do primeiro e a orientação do cirurgião. No período entre as duas cirurgias a pessoa pode sentir a visão desequilibrada, e isso melhora com a segunda.

A partir de alguns meses, e às vezes de anos, pode aparecer um embaçamento novo no olho operado. Não é a catarata voltando: o cristalino opaco foi removido e não se forma outra vez. O que acontece é que a cápsula que sustenta a lente intraocular pode se opacificar com o tempo. O Hospital CEMA chama isso de opacidade de cápsula posterior, que algumas pessoas conhecem como segunda catarata, porque a visão volta a ficar turva.

O tratamento é a capsulotomia, feita com um laser chamado Nd:YAG. É um procedimento de consultório, ambulatorial, que dura minutos e não tem corte. Na Clínica Vision a capsulotomia a laser é feita no consultório e devolve a visão em poucos minutos. Se o embaçamento voltar depois de um tempo de visão boa, a conduta é marcar uma consulta, e não achar que a cirurgia falhou.

Sinais de alerta: quando ligar para a clínica na hora

A recuperação normal é sem dor forte e com a visão clareando dia após dia. O protocolo do Einstein lista os sinais que pedem contato imediato com o cirurgião. Se qualquer um deles aparecer, não espere o retorno marcado:

  • Dor forte no olho, ou dor que aumenta em relação ao dia da alta, mesmo com o analgésico.
  • Perda de visão ou embaçamento que piora em vez de melhorar, sobretudo se for repentino.
  • Vermelhidão intensa do olho, principalmente se vier acompanhada de dor.
  • Secreção amarelada ou pálpebra colada ao acordar.
  • Febre, ou qualquer pancada ou trauma no olho operado.
  • Flashes de luz, sombras ou uma cortina cobrindo parte da visão, que podem indicar problema na retina.

Para quem cuida de um pai ou de uma mãe

Na prática, a recuperação de uma pessoa de 70 ou 80 anos depende menos do olho e mais de quem organiza a casa nos primeiros dias. Se o filho ou a filha é quem vai acompanhar, vale usar a avaliação para tirar as dúvidas com quem vai operar: leve a lista de remédios, pergunte quantos retornos estão previstos, quando o cirurgião costuma liberar banho, direção e esforço, e como funciona o contato fora do horário se aparecer um sinal de alerta.

Na Clínica Vision o acompanhamento depois da cirurgia é feito pela mesma equipe do diagnóstico à alta, com o Dr. Ricardo Martin ou a Dra. Letícia Furtado. Fale pelo WhatsApp para agendar a avaliação ou tirar uma dúvida sobre o pós-operatório. E, antes da cirurgia, deixe resolvida esta lista:

  • Transporte de ida, de volta e para o retorno de 24 horas. Ninguém dirige nesse intervalo.
  • A tabela dos colírios escrita em letra grande, com o horário de cada um, colada na geladeira. Se forem dois frascos, marcar qual é qual. Pessoas com tremor ou dificuldade de mira precisam de alguém para pingar.
  • A lista dos remédios de uso contínuo, para confirmar na consulta pré-operatória o que mantém e o que pausa.
  • Alguém em casa nos dois primeiros dias, para evitar que a pessoa se abaixe, carregue peso ou esfregue o olho por hábito.
  • Os óculos escuros e o protetor de dormir separados, porque os dois somem com facilidade.
  • O telefone da clínica salvo no celular de quem cuida, com a lista de sinais de alerta por perto.

Este artigo aprofunda uma dúvida. O procedimento por inteiro, quem faz e como agendar estão na página de cirurgia de catarata.

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Perguntas frequentes

Quantos dias de repouso após a cirurgia de catarata?

O repouso de verdade é o primeiro dia. Depois do retorno de 24 horas, a maioria das pessoas retoma as atividades leves em 2 ou 3 dias. Esforço físico, peso e abaixar a cabeça ficam restritos por cerca de 7 dias, ou mais, conforme orientação do cirurgião. Os protocolos de hospitais de referência permitem o retorno ao trabalho após 2 dias quando não há esforço físico.

Posso abaixar a cabeça depois da cirurgia de catarata?

Na primeira semana, o ideal é não curvar o tronco com a cabeça abaixo da linha da cintura, para não aumentar a pressão no olho operado. Para pegar algo no chão, agache dobrando os joelhos com a cabeça erguida. A liberação para se abaixar normalmente vem no retorno, conforme a cicatrização.

Quando posso lavar o cabelo depois da cirurgia de catarata?

Muitos cirurgiões liberam lavar o cabelo a partir do retorno de 24 horas, com a cabeça inclinada para trás e os olhos fechados, sem deixar água ou sabão escorrer para o olho. Alguns pedem mais alguns dias. No primeiro dia, o banho é do pescoço para baixo. Confirme com quem operou.

Quando volto a dirigir depois da cirurgia de catarata?

Não se dirige no dia da cirurgia nem nas primeiras 24 horas, por causa da sedação e do curativo. Depois disso, a liberação depende de como está a visão do olho operado e do outro olho, e é dada pelo cirurgião no retorno. Quem operou só um dos olhos e ainda tem catarata no outro pode precisar esperar mais.

A visão embaçada depois da cirurgia de catarata é normal?

Nas primeiras horas e nos primeiros dias, sim. A visão vai clareando ao longo da primeira semana e o grau estabiliza em algumas semanas. O que não é normal é o embaçamento piorar em vez de melhorar, ou vir com dor forte, vermelhidão intensa ou secreção. Nesses casos, entre em contato com a clínica na hora.

Conteúdo educativo, revisado pelo corpo clínico. Não substitui a consulta. A indicação de qualquer exame ou tratamento é feita em avaliação médica individual. As afirmações médicas seguem fontes citadas ao longo do texto: sociedades médicas brasileiras, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Agência Nacional de Saúde Suplementar.

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